ACONTECE NA FASAP

A PSICOLOGIA E AS ORDENS DO DISCURSOS

Uma revista científica de renome anuncia uma outra nova droga capaz de aliviar de modo muito mais eficaz a depressão, a tristeza, o luto e todas as dores de existir. Em outra de suas reportagens o anúncio de uma nova técnica cirúrgica para correções corporais de mulheres e de homens, próteses, aparelhos, cosméticos cientificamente comprovados para retardar a ação do tempo. Drogas ofertadas também para a impotência, perante as falhas e aos limites naturais do corpo.

Os anúncios se repetem nos outdoors: eletroeletrônicos que prometem ao sujeito viver sem fronteiras e de modo muito mais confortável, roupas e acessórios que multiplicam a sensualidade, oferta excessiva e segmentada de entretenimento e venda na TV. Suplementos e alimentos com um sabor extra, em edição limitada, adicionados de substâncias necessárias à saúde e a preço promocional. Marketing pessoal, também é disciplina obrigatória nesse mercado.

Nos templos religiosos superlotados a promessa eterna, a totalidade do saber, sucesso espiritual e financeiro atrelados. Nos Shoppings, templos de consumo, expostas nas vitrines modelos de plástico divulgando imagens de desejo, beleza, jovialidade, salvações outras pela tecnologia, todas a saciar a necessidade, e as tendências do homem moderno.
Na internet a velocidade, a quantidade de informações e por vezes a descartabilidade de conhecimento; as comunicações instantâneas e de tão imediatas, fugidias e esquecidas. As redes sociais, as comunidades virtuais de todos e de nenhum. A virtualidade refletindo a realidade do outro lado da tela, com filtros. Nas livrarias best-sellers da autoajuda, discursos pré-fabricados na sessão de psicologia que estão mudando a vida de pessoas por todo o mundo, isso a cada mês, a cada vez mais. Receitas, ordens e modos de ser e de estar. Promessa de felicidade falsa, certeza de ser mais uma peça da engrenagem.
Frente a essa uma compra de sensações, e promessas descabidas e de se atingir a supressão de todo e qualquer mal-estar surgem questões. O que estamos fazendo? Como estamos vivendo e construindo nossas vidas? A psicologia seria uma via possível frente às amarras do discurso normativo e serializado? Haveria algo a barrar o ideal mercantil que alude a todo o momento a busca desenfreada de uma felicidade adquirida? A psicologia em seus desdobramentos tem algo a dizer e a fazer por isso.


Allan de Aguiar Almeida