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CONSTRUÇÃO DO CONHECIMENTO EM ESTRATÉGIA E EM COMPETITIVIDADE: UMA VISÃO CONCISA

Estratégia e competição estão genericamente vinculadas aos mesmos propósitos: ambas referem-se a manutenção ou conquista de posições e à sobrevivência. Diferem-se, contudo, em sua natureza: enquanto a competição pode estar afeita a todos os seres vivos, a estratégia decorre do uso da inteligência e de recursos.

O início da sistematização do significado e abrangência da estratégia, data de aproximadamente 2.500 anos. Nessa época, o termo surgiu na Grécia e o primeiro livro para abordá-la, na China. A partir daí, seu escopo e significado foram se ampliando, até ao momento atual. Começou com a própria vida e, tanto as competições biológicas como empresariais, seguem o mesmo modelo de mudanças evolutivas graduais.

Esse princípio de adaptação gradual, desenvolvido na biologia é justamente pelo fato de o homem depender de seu semelhante, que o problema da sobrevivência se torna extraordinariamente complicado. Essa afirmativa é válida também, como metáfora, para o ambiente empresarial, já que a vida de uma empresa é marcada por sua interdependência com outras formas organizacionais. Em outras palavras as empresas precisam, para estar competitivamente no mercado, considerar sua interdependência com as variáveis que compõem o seu sistema e com outras formas de organização.

Portanto, a adoção do conceito de estratégia para organizações é posterior ao entendimento de competitividade, uma vez que o crescimento organizacional, qualquer que seja sua dimensão, precisa estar apoiado na mudança adequada da estrutura corporativa. Dado que, a estrutura das instituições reflete seu propósito.

Assim sendo, destaca-se a importância estratégica das políticas de pessoal, incluindo o papel da cultura, dos sistemas e do treinamento. A maior contribuição para a compreensão da complexidade da administração das corporações. Já que, o desafio maior da gestão é equilibrar as dimensões tecnológicas e humanas da organização. Por isso, deve-se prestar atenção aos fatores estratégicos que dependem de ações pessoais ou organizacionais. Uma vez que parte do reconhecimento de que qualquer atividade empresarial deriva das ações das forças competitivas que vigoram para cada setor.

Consequentemente, a proposta da organização que aprende, pode ser considerada parte de um continuum alcançado pela evolução do pensamento administrativo já que possui raízes técnicas e humanistas. A aprendizagem organizacional calcada em cinco disciplinas - maestria pessoal, construção de uma visão compartilhada, modelos mentais, aprendizado em equipe e pensamento sistêmico. Portanto, a evolução da teoria e das práticas organizacionais permite que se visualize a manifestação da estratégia em várias oportunidades de suas práticas.

O termo competitividade vem ganhando popularidade na administração, tanto de maneira isolada como em conjunção com a estratégia, correspondendo, no último caso, à estratégia competitiva, que diz respeito à criação de vantagem competitiva em cada um dos ramos de negócios em que a organização compete. Já o vínculo da vantagem competitiva é com o valor. Para o autor, “a vantagem competitiva surge fundamentalmente do valor que uma empresa consegue criar para os usuários e consumidores e que ultrapassa o custo de produção pela empresa”.

As empresas ao atuar em um dado mercado, estruturam e modificam suas estratégias competitivas com base em avaliações ambientais e colocação em relevo das suas competências essenciais indispensáveis para o sucesso competitivo. É possível perceber que existe uma dinâmica envolvendo o desempenho competitivo da empresa, em sua interação com o ambiente. A competitividade depende da criação e renovação das vantagens competitivas por parte da empresa em acordo com os padrões de concorrência vigentes, inerentes a cada setor econômico.

Logo, a estratégia e a competição correspondem quase sempre, quando consideradas isoladamente, à evolução. A estratégia competitiva pode incluir a “revolução” em seu pensamento e práticas. Por isso, o principal foco de uma estratégia competitiva é a diferenciação que agregue valor para o mercado. Atualmente a sociedade da informação está abrindo espaço maior para as empresas mais ágeis em perceber como o conhecimento pode ser transformado em valor para o mercado. É dele que a sobrevivência e a competitividade, que se dão em um ambiente de incerteza, dependem.

Todas essas considerações permitem concluir ainda que as empresas mais longevas são as que não se mantiveram ortodoxas apenas a uma escola de pensamento. Ao contrário, foram ao longo do tempo incorporando e assimilando as contribuições, à medida que essas foram surgindo. Portanto, é bom alertar para o fato de que até hoje, a estratégia não tem modelos e nem fórmulas que garantam o sucesso e, menos ainda, continuamente. Apenas princípios e teorias que procuram nortear e orientar a sua busca. O que existe de fato é que cada empresa é única, precisando identificar com clareza as suas competências essenciais e explorá-las de forma a conquistar e manter vantagens competitivas. Contudo, ainda hoje, o caráter econômico predomina sobre os demais.

Muriaé, 13 de Fevereiro de 2018.

Prof. Msc Adauto Junqueira - FASAP