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O SURDO NO MERCADO DE TRABALHO

Acreditar que o surdo não possui capacidade suficiente para desenvolver o seu trabalho de forma correta é uma opinião completamente preconceituosa e retrógrada, uma vez que o surdo, capacitado para o mercado de trabalho, consegue, naturalmente, executar tarefas igualmente a um ouvinte, ou até mesmo, melhor!

O marketing da inclusão começou a mudar e ganhar espaço entre as campanhas do país, uma vez que as empresas precisam, por lei, providenciar adaptações nos ambientes de trabalho que receberão uma pessoa portadora de qualquer tipo de deficiência, como a surdez, por exemplo. Essas adaptações podem ser verificadas nas formas de comunicação sonoras, além do conhecimento da Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS) pelos colegas de trabalho.

Um fator que dificulta a inclusão do surdo no mercado de trabalho é a falta de informação sobre os seus direitos, bem como os programas de capacitação não serem amplamente divulgados, tornando o acesso ainda mais difícil! Também o surdo pode ter a sensação de que ao entrar para uma empresa não terá as mesmas chances de crescer profissionalmente, uma vez que as empresas, na maioria das vezes, atribuem funções que não oferecem chances para o surdo almejar cargos maiores.

Segundo dados do próprio governo, no Brasil existem mais de 10 milhões de deficientes auditivos. Um exemplo de superação e inclusão é o da cientista da computação Samila Holanda, 26 anos. Surda, trabalha há 2 anos como digitadora no Tribunal Regional do Trabalho. Para ela, a maior barreira que enfrentou foi o preconceito. Em suas palavras, afirma: “Já tive outros empregos, mas em funções de pouca visibilidade. Em uma loja que trabalhei, por exemplo, algumas pessoas desistiam de pedir minha ajuda quando percebiam que eu não escutava”.

Outro exemplo é o do auxiliar administrativo e instrutor de Libras, Jerlan Batista, 24 anos. Ele reclama que enfrenta dificuldades pela falta de oportunidade para conseguir crescer na empresa, e por isso muitos surdos escolhem o trabalho informal no lugar dos regulamentados. Ele diz:”Trabalhei em agência bancária e em fábrica, mas não era feliz na função que exercia e sabia que não tinha possibilidade de crescimento. Quando comecei a trabalhar como intérprete ajudando em cursos de libras me senti realizado”.

Mesmo com a existência de uma legislação que obriga empresas com mais 100 funcionários destinarem 3% de suas vagas para deficientes, o índice de surdos inseridos nessas vagas no atual mercado de trabalho ainda é muito inferior ao esperado.

Prof. Leonardo de Souza Medeiros